Gig economy

Gig economy. Já ouviu falar desta expressão? Ela ganhou força no mercado de trabalho dos EUA especialmente depois do período difícil da crise financeira de 2008. Muitos americanos encontraram uma nova forma de trabalhar que se distingue pela procura de cada vez mais empregos / trabalhos / projectos de curta ou muito curta duração que lhes permitam conciliar a vida privada e profissional, através de uma gestão pessoal do tempo do salário.

O nome gig economy foi inspirado na expressão “gig”, usada por bandas ou músicos, profissionais ou amadores, quando se referem a algum concerto ou trabalho.

Mas nos dias de hoje, ser gig é fazer um trabalho especializado e bem pago. Pelo menos é isso que se espera. Mas para se ser bem-sucedido na vida privada e profissional como freelancer pressupõe-se preparação e planeamento. É necessário uma auto-reflexão sobre o desejo de se trabalhar por conta-própria, assumindo todos os riscos em causa, mas sabendo de antemão o que fazer com todas as vantagens inerentes.

Prioridades. A nossa vida é um acumulado de pequenas decisões individuais, mas que juntas formam uma enorme teia cheia de implicações. Então quando se trata de família, filhos, saúde, amigos, ética, negócios, fé, finanças, qual é a prioridade e porquê? As prioridades são muito fáceis de escrever no papel sem se pensar aprofundadamente nas consequências ou ramificações. É que eu posso bem definir que a prioridade é a família sobre o dinheiro ou trabalho; mas conseguirei viver confortavelmente sem trocar de carro de 4 em 4 anos ou rejeitar um projecto que pode abrir grandes oportunidades de carreira mas que implica trabalhar 80 horas por semana?

Motivos. As nossas motivações podem ser internas como a busca do reconhecimento a superação de desafios, ou externas como a busca de dinheiro, bónus ou bens materiais. Sejam quais forem os motivos é importante que saber o que nos faz mover, pois conhecendo a estrada, chegamos ao destino com maior facilidade.

Hábitos.  O nosso cérebro adora hábitos pois fornece-lhe respostas rápidas ao que, ao contrário, exigiria muito esforço (o livro «Pensar, depressa e devagar» é óptimo para entender estes mecanismos). O que fazemos e como fazemos está largamente pré-programado pelo nosso cérebro. Isso pode funcionar a nosso favor ou contra. Por isso, pense estrategicamente sobre os hábitos saudáveis que deseja adquirir (se ainda não os tem) ou fortalecer, pois à medida que forem postos em prática, chegará o tempo em que não precisa sequer pensar em fazer, pois estará feito!

Dinheiro. Os portugueses encolhem-se no momento de falar de dinheiro. Só perdem a vergonha se for para se vangloriarem, especialmente se a história envolver algum tipo de «chico-espertice». Se deseja trabalhar bem como freelancer terá de aprender pelo menos três coisas: a pedir o dinheiro que corresponde ao valor do seu trabalho sem vergonha ou medo da rejeição; saber usar esse dinheiro para contratar outros profissionais que podem aumentar o valor do que está a fazer; e nunca se deslumbrar com o que ganha nem tornar-se ganancioso. Na minha experiência, querer ganhar o dinheiro todo e não corresponder às expectativas do cliente (especialmente quando o orçamento é generoso) resulta numa relação frustrada.

Se já é freelancer ou pensa em fazer parte da gig economy, mantenha em mente estes quatro conselhos. Não são garantia à partida de sucesso, mas a mim têm-me garantido que esta viagem se faz com muito menos dor.