Eu não posso agradar a todos os clientes!

Eu não desejo agradar a todos os clientes. Também não faço questão de desagradar. Nenhum dos extremos me parece saudável. Porém, não deixo de admitir que faço o meu melhor para agradar o maior número de clientes; afinal, todos precisamos de clientes para manter os nossos negócios.

Se na vida pessoal não conseguimos agradar a todos, nos negócios e organizações, tentar fazê-lo é estar a cavar um buraco sem fundo do qual será muito difícil de sair. O normal, é ficar preso no próprio buraco, exausto, sem conseguir cavar mais, mas também sem conseguir sair. Ou pior, acabar asfixiado através de um aluimento de terras. A imagem pode não ser muito agradável, mas é assim mesmo que acontece a muitos líderes, empresários ou freelancers: na tentativa de agradar a todos, acabam por não agradar a ninguém – nem a si mesmo.

É como aquela história do Velho, do Rapaz e do Burro que fala sobre a tentativa falhada de agradar a todas as pessoas, sendo tal impossível independentemente da solução adoptada.

Há que perceber que tentar agradar a todos é correr um risco enorme cujas consequências são muitas vezes imprevisíveis e perigosas. Já me aconteceu isto com clientes e projectos em tantas e tantas situações. O cliente por querer agradar a todos os seus consumidores entra numa deriva de acrescentar funcionalidades e serviços que acaba com um produto ou serviço «inchado», complicado de utilizar, difícil de comunicar, que chega tarde ao mercado perdendo a oportunidade e no qual «estoura» todo o orçamento não sobrando nada para dar continuidade ao projecto. Este tipo de situação termina com a infelicidade do cliente e dos consumidores.

DE FREELANCER A EMPRESÁRIO

Este programa de treino intensivo vai transformar a sua mentalidade de freelancer tecnicamente competente, a gestor do seu negócio que é tecnicamente competente para solucionar os problemas dos seus clientes. Porque trabalhar como freelancer não é só fazer o trabalho: é, também, saber gerir o seu negócio.

SABER MAIS

Todo o líder tem de ter uma visão pragmática e saber muito bem quais são as prioridades. Entre project managers há muitas vezes a dicotomia de agradar os stakeholders internos ou os reais utilizadores do produto. É uma posição tramada. Senti-me muitas vezes encurralado nessa escolha e, confesso-lhe, que cedi em muitas ocasiões ao primeiro grupo. Por esse motivo, é importante ter um framework simples para avaliar aqueles pedidos que extravasam o âmbito do projecto inicial. São questões tão simples, como:

  1. Porque é que este pedido é importante?
  2. O que acrescenta ao projecto em termos de valor/experiência/diferenciação?
  3. A quem e a quantos se dirige?
  4. Melhora, não afecta ou piora a experiência para a maioria os clientes/utilizadores?
  5. Qual o grau de risco na sua implementação?
  6. Qual o grau de incerteza?
  7. Qual o grau de complexidade?
  8. É um requisito de acrescenta sem destruir? Pense num software: para implementar essa funcionalidade tenho de «destruir» boa parte de código já escrito? Ou será um acrescento?
  9. É vital para o lançamento ou pode ser realizado depois?
  10. Há estudos / dados que sustentem esse pedido?
  11. Há orçamento?
  12. Há tempo?
  13. Aumenta os custos do produto final?
  14. Exige mais trabalho operacional?
  15. Quem assume a responsabilidade se algo correr mal?

A única classe que vive para agradar a todos é a política. Não leia isto com tom de escarnio, mas facilmente observamos isso nos seus discursos em que prometem tudo a todos, ou nas leis que aprovam, escritas com dezenas de excepções, às vezes pouco transparentes, tal teia kafkiana da qual ninguém se desembaraça, mas com o objectivo final de agradar a todos e não excluir ninguém.

Um freelancer não pode seguir este caminho. Tem de ter uma visão clara do tipo de projectos que deseja realizar e o género de clientes com quem deseja trabalhar. Quando se desvia disso e entra na espiral de aceitar qualquer trabalho e cliente o resultado é o prejuízo e a destruição da sua reputação. É por isso tão importante determinar o perfil dos clientes que aceita, pois assim poderá rejeitar sem sentir culpa aqueles que não encaixam no seu perfil. Essa é uma grande liberdade do freelancer, que não pode deixar de ser exercida com enorme responsabilidade.

Pedro Miguel Martins

Ainda na Faculdade, há mais de 15 anos, já trabalhava como freelancer. Pelas minhas mãos já passaram projectos de marcas tão conhecidas como a RFM, Rádio Renascença, Águas da Figueira, Nova School of Business & Economics ou Cepsa, mas também de outros clientes mais pequenos. Vejo a criatividade, o compromisso e a confiança como os pilares de qualquer projecto de qualidade: foi com base nestes princípios que vinguei como freelancer.

Aceite o convite e subscreva a minha newsletter de conteúdos exclusivos.

SEM SPAM OU QUALQUER TIPO DE PUBLICIDADE

Continue a ler

Vamos entrar num novo confinamento…

Trabalhar em casa, sozinho, não faz de mim um eremita ou um monge enclausurado. Gostar de trabalhar em silencio não significa não me sentir inspirado pelo murmurinho das pessoas que me rodeiam.

Um texto com algum azedume

De facto, não é fácil ganhar dinheiro como trabalhador independente, tendo em conta todas as obrigações fiscais.

Estados d’alma de um freelancer.

A Alanis Morissette conhece-os como ninguém!

Experiência ou Resultados?

Resultados! Esse deveria ser o motivo para a contratação de alguém, pois anos de experiência não significa melhor trabalho ou desempenho. Com facilidade nos lembramos de pessoas com muito anos de…

Eu não posso agradar a todos os clientes!

Um freelancer não pode agradar a todos os clientes. Tem de ter uma visão clara do tipo de projectos que deseja realizar e o género de clientes com quem deseja trabalhar.

Educação. Um investimento contínuo.

A nossa educação requer um investimento contínuo, inclusive e especialmente na idade adulta. Não deixe de investir na sua educação e formação, seja ela pessoal ou profissional.