Coronavírus. Como um freelancer pode gerir a incerteza do trabalho durante esta pandemia.

Quantos mais os dias passam, mais cresce a ansiedade que muitos freelancers sentem. Perguntam-se se conseguirão manter os clientes, receber pelos trabalhos já executados, conservar os projectos actuais, serem contratados para novos projectos a curto prazo, e especialmente, se serão capazes de se manterem sustentáveis financeiramente, suportando os encargos do seu negócio e as necessidades pessoais.

E nesta definição de trabalhadores freelancers incluímos todo o tipo de prestadores de serviços, desde profissionais de saúde, educação, técnicos, fotógrafos, designers, marketeers, consultores, entre tantos outros.

O Governo português tem feito o possível para disponibilizar auxílios estatais a pessoas e empresas de forma a assegurar os postos de trabalho e a continuidade dos negócios após a crise pandémica. Exemplo disso são as medidas de apoio que os trabalhadores independentes podem requerer seja o suporte financeiro de apoio à família e a redução da actividade económica, seja o deferimento do pagamento de contribuições. Estes apoios financeiros podem ser pedidos através da Segurança Social.

A precariedade financeira que muitos freelancers enfrentam não é de agora. Basta recordar o impacto da crise financeira e económica que se abateu em Portugal em 2011 e nos anos seguintes. Mesmo assim, se é um dos 800 mil trabalhadores independentes, os próximos meses não serão fáceis.

DE FREELANCER A EMPRESÁRIO

Este programa de treino intensivo vai transformar a sua mentalidade de freelancer tecnicamente competente, a gestor do seu negócio que é tecnicamente competente para solucionar os problemas dos seus clientes. Porque trabalhar como freelancer não é só fazer o trabalho: é, também, saber gerir o seu negócio.

SABER MAIS

Avalie as suas finanças

Se tiver seguido as boas práticas de finanças pessoais deverá ter um fundo de emergência que o ajudará a aguentar com menor dificuldade os próximos meses. O conselho comum é garantir 3 a 6 meses de dinheiro disponível no banco. Mas, independentemente de quão gordo está o seu porquinho mealheiro, tem de olhar seriamente para as suas despesas e cortar no que não é fundamental para o seu negócio. Faça tudo o que estiver ao seu alcance para aumentar as suas poupanças e garantir liquidez para as despesas obrigatórias. Adie investimentos e compras, suspenda serviços não essenciais e poupe em todos os recursos possíveis.

Não se sinta embaraçado de pedir os apoios financeiros disponíveis – seja em forma de crédito ou outros –, obter adiamentos e renegociar ou suspender contractos. Informe os seus fornecedores atempadamente, explique em que situação está e seja concreto no seu pedido de ajuda. Não adie estas acções até ser tarde de mais ou quando já estiver irremediavelmente atrasado no pagamento das suas obrigações.

Se se sente a submergir, peça ajuda. Contacte o seu contabilista ou procure na sua rede de contactos pessoas com experiência em gestão e finanças para que lhe possam fazer uma auditoria às suas contas e criar cenários para o presente, mas sobretudo para planear o futuro.

Quando estamos em stress financeiro entramos em modo de sobrevivência em que a nossa mente apenas está focada nas datas de vencimento das facturas a pagar e nas facturas por receber. Mas não deixe a sua mente ficar acorrentada a estes pensamentos em espiral. Aproveite para pensar que medidas poderá tomar no futuro para garantir que o seu negócio será mais robusto numa próxima crise. Planear o futuro após crise dar-lhe-á o estímulo necessário para querer continuar o seu negócio.

Adapte o seu negócio

Seja em tempo de crise ou de novas oportunidades, os freelancers são autênticos camaleões capazes de se adaptarem muito rapidamente ao ambiente e às circunstâncias. Essa é uma das vantagens de não se ter uma estrutura pesada e que se move de forma lenta.

Olhe para si e para o que sabe fazer. Analise o tipo de trabalho que pode ser feito em tempo de isolamento social e aquele que tem de abandonar por agora. Entenda como poderá adaptar e realizar o seu trabalho à distância. Por exemplo há instrutores de fitness que estão a usar o Zoom para continuarem a acompanhar os seus clientes em aulas privadas e até professores e explicadores que continuam a dar aulas e a auxiliar os seus alunos por Skype. As possibilidades são imensas.

O facto de se estar em isolamento social não significa que não possa manter contacto com os seus clientes. Por isso, fale com os seus clientes e procure saber se há algum tipo de serviço que lhes possa ser útil, mesmo que sejam trabalhos para os quais você habitualmente não se oferecesse para realizar. Este não é tempo para se ser picuinhas, mas para aproveitar tudo o que possa manter o seu negócio activo.

Aproveite o tempo extra para estudar

Estar sem trabalho não pode ser sinónimo de estar parado. Se o que lhe falta em trabalho sobra em tempo livre, converta essas horas em estudo e formação. Sejam cursos pagos ou gratuitos, a oferta é imensurável. Aprender irá ajudar a manter a mente ocupada e estimulada, a aperfeiçoar as suas skills ou adquirir novas, a enfrentar esta crise com um novo ânimo, mas sobretudo, dar-lhe-á ferramentas adicionais que servirão para melhorar e aumentar o seu negócio de futuro.

Recomendo que dedique este tempo a estudar temas relacionados com finanças, gestão, liderança, transformação digital ou marketing. São tudo disciplinas que lhe darão conhecimento para se tornar num melhor gestor do seu negócio, mas principalmente, vantagens sobre os seus concorrentes.

Aproveite este tempo para também estudar o seu negócio. Isso mesmo, estudar o seu negócio. Observe a concorrência e perceba o que estão a fazer bem e que oportunidades estão a ser desperdiçadas. Ajuste o seu plano de negócios, traçando um plano para quando a crise terminar. E se não tem um plano de negócios, este é um tempo ideal para o realizar (no curso de Freelancer a Empresário há uma aula dedicada a esse tema).

Apoie os seus clientes e fornecedores

Algo curioso que este isolamento social tem gerado é uma maior consciência de como todos estamos ligados uns aos outros. Na correria do dia-a-dia entendemos os nossos clientes e fornecedores como isso mesmo, um cliente e fornecedor, alguém com quem fazemos uma transacção. Em tempo de Coronavírus os nossos clientes e fornecedores são pessoas como nós afectadas por esta doença. Em maior ou menor escala, todos estamos o sofrer as consequências desta crise de saúde.

Para sairmos mais fortes desta situação adversa temos de estreitar laços. Podemos fazer isso mantendo um contacto regular com os nossos clientes – actuais ou distantes – e disponibilizar-nos para ajudá-los, mesmo que no tempo imediato não vejamos nenhum tipo de pagamento pelo trabalho. Há que ter visão de águia, isto é, ver mais além, ver além destes meses malditos, pois mais importante que o presente, é o futuro. E se desejamos que os nossos clientes ainda possam continuar a operar agora e no futuro, temos de ser cooperantes. O mesmo com os nossos fornecedores. Mantenha um contacto próximo com eles. Diga-lhes se está a trabalhar a 80%, 50% ou a 10%. Dê-lhes algum tipo de previsão sobre a contratação dos seus serviços ou para quando pensa adiar uma compra ou um serviço.

Estamos todos no mesmo barco durante uma forte tormenta. Para chegarmos a porto seguro é preciso a cooperação de todos.

Não fazer nada não é uma opção

Pensar que pode hibernar como os ursos e ficar a aguardar que a crise passe não é solução. É pelo contrário, uma lenta e dolorosa morte. A inércia não lhe fará bem.

Este é o tempo para ajustes e reflexão. É o tempo para continuar a prosseguir os objectivos do seu negócio. É o tempo para optimizar o que faz bem e corrigir o que está errado. É o tempo para transformar áreas do seu negócio que estão obsoletas ou são deficientes. É o tempo para automatizar tarefas que no futuro aumentarão o lucro, a eficiência e a produtividade. É o tempo para se tornar mais forte. É o tempo para tornar mais forte os laços que o ligam aos seus clientes e fornecedores. Este não é o tempo para desistir!

Pedro Miguel Martins

Ainda na Faculdade, há mais de 15 anos, já trabalhava como freelancer. Pelas minhas mãos já passaram projectos de marcas tão conhecidas como a RFM, Rádio Renascença, Águas da Figueira, Nova School of Business & Economics ou Cepsa, mas também de outros clientes mais pequenos. Vejo a criatividade, o compromisso e a confiança como os pilares de qualquer projecto de qualidade: foi com base nestes princípios que vinguei como freelancer.

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